Opinião – Será que é possível?

Eu nunca imaginei que um movimento na Formula 1 poderia mexer com a cabeça de alguns fãs de automobilismo pelo mundo. A surpreendente história de Fernando Alonso competindo nas 500 milhas de Indianápolis neste ano, deixando de participar do GP de Mônaco para encabeçar um projeto de volta da McLaren a prova que lhe deu algumas de suas primeiras conquistas, fez com que algumas pessoas sonhassem que outros pilotos pudessem participar desta corrida, trazendo um tempero ainda melhor a todo este enredo. Com esta percepção, lanço uma pergunta ao final deste texto que alimenta alguns desejos meus, aproveitando o rastro desta surpresa que a turma de Indiana nos proporcionou.
De fato, para a IndyCar pode se constatar apenas benefícios em relação desta escolha de McLaren/Honda em participar do evento. Afinal de contas, a Formula 1 ficou em segundo plano para um bicampeão da categoria em busca de realização profissional. Mas ao juntar a vontade do piloto com interesses da equipe/fabricante de motor, formou-se a maior história do automobilismo deste ano.

Dito isso, se Alonso é capaz de tomar este tipo de atitude, o porquê Penske e Ganassi não trazem seus principais pilotos da Nascar para a Indy 500 em troca da mesma exposição que hoje tem a Andretti, com sua parceria com o time de Woking? A resposta vai de encontro aos bastidores e o distanciamento natural que as categorias americanas tiveram ao longo dos anos. Mesmo com a presença recente de Kurt Busch, também pela Andretti, na edição 98 da prova em Indiana, existe uma grande dificuldade entre Nascar e Indy de explorarem este esforço de forma conjunta.

O primeiro deles é que são eventos com apoiadores bem diferentes e nenhum deles teria o seu nome lembrado a conquista. Além dos principais patrocinadores serem empresas sem relação (Verizon e Monster Energy atuam com públicos antagônicos), as categorias tem parceiros de transmissão que divergem na cobertura. Com um longo contrato de exibição com ABC, um possível participante das 500 milhas teria retorno na Fox, que tem os direitos de transmissão das 600 milhas de Charlotte. Ou seja, o custo e o público seria também dissonantes. Claro que neste caso você encontra um maior número de fãs de automobilismo que assistem tanto Formula Indy quanto Nascar, mas do ponto de vista mercadológico não seria bom para uma ABC ver alguém que ela poderia explorar a imagem ir correndo para outro lugar com cobertura da sua rival.

Mas o ponto mesmo de fuga são as equipes. No caso da Penske e Chip Ganassi, ambas sofrem por conta de os fornecedores nas duas categorias serem diferentes. Enquanto na Penske os motores Chevrolet são utilizados na Indy, uma vez que a Ford só está na Nascar, a Ganassi vai de propulsor Honda este ano, substituindo a marca da gravatinha desde o início desta temporada. Do ponto de vista técnico, não existe tantos segredos quanto uma F1 ou DTM, mas imagina um Kyle Larson correndo com um carro da Honda e depois pegando o volante do seu Chevy em Charlotte.

Claro que não digo isso somente à toa. Recentemente a ESPN publicou uma entrevista com Chip Ganassi onde o dono da equipe diz que tem que esperar o momento certo, mesmo com o piloto do #42 na MENCS demonstrando interesse em participar do evento em Indiana antes da corrida na Carolina do Norte. O momento certo é sem dúvida um acordo de fornecedores e patrocinadores que viabilizam sua participação. Será que não seria um bom momento para a CGRT buscar este acordo, uma vez que um certo espanhol trouxe um agito diferente para esta edição?

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Thiago Santa Rosa é Analista de TI e nas horas vagas é um fã de automobilismo em geral, mas que tem paixão pelos stock cars americanos.

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